quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O que se pode levar.


Só há uma certeza na vida – a morte e que nada de material levaremos daqui.
Todos morreremos um dia.
Tudo permanecerá aqui.
Ficarão bens, propriedades, riquezas, jóias, dinheiro…
Até mesmo um mísero alfinete será confiscado na rigorosa alfândega do Além.

E também posição social, prestígio, fama, poder…
É como se fôssemos seqüestrados, sem direito, sequer, a uma peça de roupa e conduzidos para remoto continente.
Condição penosa para aqueles que não se prepararam adequadamente.
Permanecem presos às situações que vivenciaram.
Angustiam-se com seu isolamento…
Irritam-se por não lhes darem atenção os familiares…

Ficam odientos e desatinados quando presenciam a divisão dos bens entre os herdeiros, situando-os por traidores e larápios.
Vezes inúmeras nos deparamos, nas manifestações mediúnicas, com entidades vivendo esse drama.
Lembro-me de um Espírito recém-desencarnado. Não se conformava com o andamento do inventário. Considerava-se espoliado pelos familiares.

Argumentávamos, procurando apaziguá-lo:
– Meu amigo, lembre-se de que você está no mundo espiritual. Outros devem ser seus interesses, seus desejos e atividades.
– Conversa mole! É tudo meu, fruto do meu suor, da minha dedicação! Recuso-me a ver meus patrimônios dilapidados, justamente por aqueles que deveriam preservá-los!
– Você jamais foi dono de nada. Era tudo propriedade de Deus. Apenas administrava.
– Balelas! Meus bens estão registrados em cartório! Nas escrituras não consta o nome de Deus!
Diálogo infrutífero.

A fixação de idéias em torno de nossas fraquezas, sedimentada pelo egoísmo, constitui um bloco monolítico que só o tempo aliado ao sofrimento podem quebrar.
É comum depararmos com Espíritos incapazes sequer de reconhecer a realidade espiritual, obcecados pelos interesses que marcaram sua passagem na carne.

Conversei, certa feita, com rico fazendeiro desencarnado, ainda envolvido com a imensa propriedade que centralizara suas atenções. Supunha que fora invadida por estranhos.
Não percebera que haviam decorrido trinta anos desde o seu falecimento, e que os filhos, após o inventário, tinham loteado a fazenda.

Meu caro leitor, mais cedo ou mais tarde, amanhã ou dentro de algumas décadas, morreremos, retornando ao mundo espiritual.
Manda a prudência e o bom senso que tenhamos sempre um pé atrás, isto é, que estejamos atentos, evitando surpresas desagradáveis.
Duas providências, nesse particular, devem merecer nosso empenho:
  •  Administrar, sem apego, o que vai ficar, reduzindo ao máximo nossa dependência.
  • Investir, com empenho, no que podemos levar.
Você talvez estranhe essa última afirmativa.
Se não podemos levar nem um alfinete…
Não há contradição.
Levaremos, sim, as aquisições que, segundo Jesus as traças não roem nem os ladrões roubam, caracterizadas pelos valores culturais, intelectuais, morais, espirituais…

O conhecimento superior, a cultura bem orientada, as virtudes cristãs, o domínio sobre nós mesmos, a sabedoria, são patrimônios inalienáveis, que irão conosco para onde formos, constituindo-se num “mobiliário” abençoado que nos proporcionará conforto e bem-estar onde estivermos.

A propósito, há esclarecedor diálogo de um turista americano com famoso mestre egípcio que visitou na cidade do Cairo.
Ficou surpreso ao ver que o ancião morava em quarto singelo. As únicas mobílias eram uma mesa e um banco.
A partir dali houve breve e significativo diálogo:
O turista:
– Onde estão seus móveis?
O sábio:
– Onde estão os seus?
O turista:
– Estou de passagem.
O sábio:
– Eu também.

Livro: Abaixo a Depressão de Richard Simonetti

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